Semana da Constituição no STF: celebração dos 38 anos reúne memória, pesquisa acadêmica e debate sobre o futuro do país

Última atualização: 13/10/2026 12:32

Programação especial promoveu diálogos sobre a presença da Carta Magna no cotidiano dos brasileiros, homenageou o protagonismo feminino na Assembleia Constituinte e apresentou iniciativas inéditas de pesquisa desenvolvidas na Corte.

Em comemoração aos 38 anos da promulgação da Constituição Federal de 1988, o Supremo Tribunal Federal (STF) promoveu uma semana intensa de eventos que integraram reflexão histórica, cultura e produção acadêmica. A programação especial destacou como a Carta Magna permanece como um documento vivo e dinâmico, oferecendo respostas contínuas aos desafios sociais, econômicos e institucionais do Brasil contemporâneo.

Ao longo da semana, o presidente do STF enfatizou a presença marcante dos direitos constitucionais na rotina diária da população brasileira — do acesso à saúde e à educação à garantia das liberdades fundamentais —, ressaltando a responsabilidade do Tribunal em resguardar esses avanços e assegurar a estabilidade democrática do país.

Protagonismo feminino e memória no Museu do STF

A dimensão histórica do processo constituinte ganhou destaque com a realização da mesa “Roda de Conversa do STF”, dedicada a resgatar o papel decisivo das mulheres na elaboração do texto de 1988. O encontro rememorou a atuação da bancada feminina na Assembleia Nacional Constituinte — a chamada “Bancada do Batom” —, cuja mobilização foi fundamental para a consolidação de conquistas históricas nas áreas de igualdade de gênero, direitos civis, trabalho e família.

Incentivando a preservação dessa trajetória, o Museu do STF abriu espaço para uma exposição temática sobre o processo de emendas constitucionais. A mostra apresentou documentos históricos, registros fotográficos e materiais interativos que revelam como as transformações formais e informais da Carta Magna acompanharam as mudanças da sociedade brasileira ao longo de quase quatro décadas.

Pesquisa (n)o Supremo: inovação e diagnóstico institucional

Como parte central das celebrações, o Museu do STF sediou a edição do painel “Diálogos Acadêmicos: Pesquisa (n)o Supremo”, voltado à divulgação de estudos desenvolvidos por pesquisadores da própria Corte. A iniciativa “Pesquisando no Supremo e o Supremo” foi destacada pela Secretaria de Altos Estudos (SAE) e pelo Centro de Estudos Constitucionais (CESTF) como uma proposta inovadora para fortalecer o diálogo técnico-científico com a comunidade acadêmica e aproximar a sociedade da produção científica do Tribunal.

Durante o painel, a equipe de pesquisadores detalhou projetos estratégicos e metodologias aplicadas:

  • Pesquisa Aplicada e Diagnóstico Institutional: A Coordenadoria de Pesquisas Judiciárias do STF (COPJ) apresentou a atuação do setor na produção de diagnósticos empíricos (qualitativos e quantitativos) sobre o funcionamento da Corte. Temas como a dinâmica do Plenário Virtual, processos estruturais, memória e jurisprudência internacional integram o escopo de trabalho, que prima pelo rigor ético, pela transparência e pela replicabilidade dos dados para pesquisadores internos e externos.
  • Projeto Casos Relevantes: Foi detalhado o projeto concebido para organizar e disponibilizar os principais julgamentos plenários da história recente do Tribunal. Após a análise de cerca de 65 mil processos, a equipe selecionou 2.855 casos de elevado impacto social e institucional, adotando critérios como a realização de audiências públicas e a participação de amici curiae. A iniciativa prevê a consolidação de um banco de dados e a elaboração de relatórios acessíveis em escala nacional e internacional.
  • Abordagem Crítica e Humana da Instituição: No âmbito da cooperação acadêmica entre o STF e a Capes, foi apresentado um estudo voltado à dimensão humana do Tribunal. Por meio de observação empírica, registros fotográficos e entrevistas, a pesquisa analisa as percepções, os diálogos e as vivências da comunidade interna diante de cenários institucionais desafiadores, registrando como os sujeitos que constroem o STF cotidianamente respondem aos desafios do presente.

A programação comemorativa dos 38 anos da Carta Cidadã reafirma o compromisso do STF com a transparência, com a preservação da memória e com a busca contínua por soluções institucionais fundamentadas no Estado Democrático de Direito.

(CESTF — Rafael Selva Ginani)

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